Economia compartilhada estimula o consumo consciente  

Sabe aquela roupa que você comprou e só usou uma vez? Já pensou em alugá-la para alguém? O nome dessa ideia é economia compartilhada. 

Airbnb, Uber e Netflix foram os pioneiros  da economia compartilhada. Para eles, o consumo atual tem muito mais a ver com propriedade e não posse. O desenvolvimento da tecnologia, por exemplo, facilitou a conexão entre o proprietário e a pessoa que precisa do serviço/objeto. Ficou mais fácil ver um filme com alta qualidade online, pegar uma carona com alguém ou alugar um quarto vago na casa de uma pessoa.  

A economia colaborativa está crescendo rápido. Segundo dados da PwC, até 2025, ela pode gerar uma receita de US$ 335 bilhões de reais, aproximadamente 22x maior que o valor atual de US$ 15 bilhões. Para os proprietários, a economia compartilhada transforma as posses em receitas de fluxo, permitindo que itens sejam úteis o tempo todo. Para quem aluga, proporciona comodidade, já que compensa pagar para usar algo por um curto período de tempo ao invés de adquirir o produto e deixá-lo parado.  

Mas a economia colaborativa tem futuro na moda?  

Nosso guarda-roupa é composto por peças de valor variado, algumas caras, outras baratas. Nós compramos mais do que usamos, isso é um fato. Somente nos Estados Unidos, mais de US$ 8 bilhões estão parados em armários, de acordo com um estudo do ThredUp. Como resultado, dezenas de empresas do ramo da moda entraram nesse mercado, adotando modelos de negócios para aproveitar essa oportunidade.  

Aluguel de roupas  

A economia compartilhada tem apresentado na indústria da moda serviços de aluguel de roupas e acessórios, que permitem o empréstimo das peças e dos produtos pelo usuário a um valor de 10 a 20% do preço original por um determinado período de tempo. Exemplos desse modelo de negócio são o PowerLook, segmentando na área de vestidos de festa, e o BagMe, que aluga bolsas.  

Dessa forma, o público consegue ter acesso a roupas de qualidade, sem se comprometer com um alto investimento. Com mais poder de compra e escolha, os usuários podem renovar os armários constantemente, seguindo as tendências da moda, sem se sentirem culpados por gastar.  

Plataformas peer-to-peer    

Reúnem usuários que estão interessados em alugar/vender/comprar/emprestar/trocar entre si próprios. O desafio, entretanto, é assegurar a boa condição dos itens, assim como oferecer devolução, caso as peças não sirvam.  

E o impacto na indústria?  

A economia compartilhada na moda apresenta um crescimento tímido se comparada a outros segmentos, como hospedagem e transporte. De acordo com a PwC, apenas 2% da população americana já utilizou algum serviço colaborativo no setor varejista. Especialistas acreditam que se o modelo de negócio prosperar, as marcas de fast fashion podem ser as mais afetadas, já que as pessoas tendem a preferir roupas de maior qualidade e durabilidade. Itens como jeans e tênis continuariam a ser adquiridos no dia a dia, mas peças para a noite, por exemplo, passariam a ser alugadas. Embora esse compartilhamento possa ter um efeito negativo no varejo, o dinheiro gasto com a moda não diminuiria, mesmo se o número de roupas produzidas caíssem.  

Limitação da economia compartilhada  

A logística é considerada o maior obstáculo para a economia compartilhada prosperar. Devido a estilos e tamanhos diferentes, os marketplaces precisam oferecer aos consumidores uma variedade de produtos maior do que qualquer outro setor. Sem falar que o inventário precisa acompanhar as tendências da moda, justamente para o modelo de negócio fazer sentido e ser apelativo ao público. À medida em que essas iniciativas vão sendo introduzidas às vidas das pessoas, contudo, elas começam a repensar a forma como consomem e acabam percebendo que, além de uma alternativa econômica, a economia compartilhada é uma atitude consciente.  


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